Arco submerso para soldagem
Aviso de segurança. A soldagem por arco submerso é aplicada em juntas estruturais e em equipamentos sob pressão: procedimentos (WPS/PQR) devem ser qualificados pela ASME Seção IX ou ISO 15614-1 e os operadores pela ISO 9606-1. Vasos de pressão, caldeiras e tubulações enquadrados na NR-13 exigem acompanhamento de Profissional Legalmente Habilitado e inspeção por ensaios não destrutivos; especificação de consumíveis e parâmetros deve ser validada por engenheiro de soldagem ou inspetor certificado.
O que é a soldagem por arco submerso e como funciona
No processo SAW, o arco é aberto entre o arame-eletrodo e a peça sob uma camada de fluxo granular alimentada continuamente à frente da soldagem. Parte do fluxo funde e forma uma escória protetora que refina a poça, adiciona elementos de liga e controla o formato do cordão; o fluxo não fundido é recuperado e reaproveitado. Por ficar coberto, o arco tem alta eficiência térmica e não expõe o operador à radiação, o que permite correntes muito elevadas — de algumas centenas até mais de 1.000 A — e, com isso, penetração profunda e deposição intensa.
- Alta produtividade e penetração, ideal para chapas médias e espessas.
- Ausência de respingos e de radiação visível; ambiente de trabalho mais limpo.
- Restrito, na prática, às posições plana e horizontal (o fluxo precisa cobrir a poça).
- Processo mecanizado ou automatizado, não manual.
Equipamentos e configurações do arco submerso
Uma célula de arco submerso combina fonte de energia (retificador CC ou fonte CA/CC de alta corrente), sistema de alimentação de arame, cabeçote de soldagem com bico e alimentador de fluxo, e o meio de deslocamento — coluna e lança, trator autopropelido sobre a peça, ou posicionadores e viradores para costuras circunferenciais. Configurações multi-arame (twin e tandem) elevam a taxa de deposição e a velocidade, mas exigem controle sincronizado de corrente e polaridade. Sistemas de recuperação de fluxo por vácuo reduzem desperdício e são relevantes no custo operacional de linhas de alta produção.
- Arame único: base para a maioria das juntas.
- Twin wire (dois arames na mesma poça): mais deposição sem grande aumento de energia.
- Tandem (dois ou mais arcos em série): máxima velocidade em costuras longas.
- Trator vs coluna-e-lança vs bancada com posicionador, conforme a geometria da peça.
Arames e fluxos: como especificar os consumíveis
A qualidade do cordão nasce do par arame + fluxo, não do arame isolado. Os arames maciços de aço carbono seguem a AWS A5.17 (e a ISO 14171), enquanto os de baixa liga com Mo, Ni ou Cr seguem a AWS A5.23 — obrigatórios em aços de alta resistência e em componentes que verão temperaturas negativas, como a costura longitudinal de um tanque criogênico. Os fluxos são classificados pela ISO 14174 e se dividem em fundidos (mais estáveis e menos higroscópicos) e aglomerados (permitem alta basicidade e adição de liga). Quanto maior a basicidade do fluxo, melhor a tenacidade do metal depositado — critério decisivo em vasos de pressão. Fluxos aglomerados exigem ressecagem controlada antes do uso para evitar hidrogênio difusível.
| Consumível / tipo | Norma de referência | Característica-chave | Aplicação recomendada |
|---|---|---|---|
| Fluxo fundido | ISO 14174 | Baixa higroscopicidade, arco estável | Alta velocidade, chapas finas a médias |
| Fluxo aglomerado básico | ISO 14174 | Alta basicidade, boa tenacidade a baixa temperatura | Vasos de pressão e serviços críticos |
| Arame maciço C-Mn | AWS A5.17 / ISO 14171 | Aço carbono, econômico | Estruturas soldadas e tubos |
| Arame maciço de baixa liga | AWS A5.23 | Adição de Mo/Ni/Cr | Aços de alta resistência e criogênicos |
| Arame tubular (metal-cored) | AWS A5.17 / A5.23 | Maior taxa de deposição | Revestimento e recuperação de superfície |
Onde o arco submerso é aplicado por setor
O processo domina a fabricação de tubos de grande diâmetro (costuras longitudinal e espiral), vasos de pressão, caldeiras e trocadores, tanques de armazenamento e componentes estruturais pesados soldados conforme a AWS D1.1. Em fabricação de cilindros e cascos, o cordão de arco submerso costuma vir logo após o serviço de calandra que conforma a chapa em virola, unindo a costura longitudinal em uma única passada ou em passe/contrapasse. Também é amplamente usado em revestimento duro (hardfacing) e cladding para recuperar ou proteger superfícies sujeitas a desgaste e corrosão, como rolos, eixos e equipamentos de mineração.
- Óleo, gás e petroquímica: tubos, vasos e tubulações (referência Petrobras N-133).
- Caldeiraria e geração: caldeiras e trocadores sob NR-13.
- Estrutura metálica pesada: perfis soldados e pontes conforme AWS D1.1.
- Manutenção industrial: recuperação e revestimento anti-desgaste.
Como dimensionar parâmetros: aporte térmico e deposição
Especificar arco submerso é equilibrar produtividade e propriedades mecânicas. Corrente alta aumenta penetração e deposição, mas eleva o aporte térmico e engrossa a zona termicamente afetada, reduzindo tenacidade — por isso aços temperados e revenidos e componentes que verão baixa temperatura têm faixa máxima de aporte definida no WPS. Uma regra prática de partida: quanto maior o diâmetro do arame, mais corrente ele suporta, porém menor a densidade de corrente e a penetração relativa. Em perfis estruturais como uma viga galvanizada feita de chapa soldada, prioriza-se velocidade e enchimento; em vaso de pressão, prioriza-se controle de aporte e tenacidade. Sempre confirme número de passes, pré-aquecimento e temperatura de interpasse contra o procedimento qualificado.
- CC+ para maior penetração; CC- e twin/tandem para maior deposição.
- Aporte térmico controlado onde a tenacidade e a ZTA são críticas.
- Pré-aquecimento e interpasse definidos por espessura e material.
- Validar sempre com ensaio de procedimento (PQR) antes da produção.
Modos de falha e erros comuns de especificação
A maior parte dos defeitos em arco submerso vem de fluxo ou junta mal preparados, não da máquina. Fluxo aglomerado úmido é a causa clássica de porosidade e de trincas induzidas por hidrogênio — ressecagem e armazenagem em estufa são inegociáveis. Aporte térmico excessivo gera cordão largo, mordeduras e perda de tenacidade na ZTA; corrente insuficiente causa falta de fusão e penetração incompleta em chanfros estreitos. Escória aprisionada entre passes surge quando a remoção é falha em juntas multipasse. Erros de especificação frequentes incluem escolher arame sem casar com o fluxo (perde-se controle de liga), ignorar a exigência de baixa temperatura ao usar arame C-Mn onde caberia baixa liga, e não prever recuperação de fluxo, o que dispara o custo em produção longa.
- Porosidade e trinca por hidrogênio: fluxo úmido ou sem ressecagem.
- Mordedura e baixa tenacidade: aporte térmico alto demais.
- Falta de fusão: corrente baixa em chanfro estreito.
- Inclusão de escória: limpeza deficiente entre passes.
O que define o preço e checklist de cotação
No arco submerso há três cotações possíveis: comprar/automatizar o equipamento (fonte, cabeçote, trator, posicionador e recuperação de fluxo), comprar consumíveis por lote (arame em bobinas e fluxo em sacos), ou contratar o serviço de soldagem qualificado. O preço do equipamento é movido por corrente máxima, número de arames (twin/tandem custa mais), grau de automação e sistema de recuperação. O consumível é movido por classe do arame (baixa liga custa mais que C-Mn), tipo de fluxo (aglomerado básico acima do fundido comum) e volume. No serviço, pesam espessura, material, extensão de solda, exigência de ensaios não destrutivos e a norma aplicável. Reúna os dados abaixo para qualificar o orçamento e comparar fornecedores na mesma base.
- Material e espessura das chapas e tipo de junta/chanfro.
- Norma exigida (ASME, AWS D1.1, NR-13, Petrobras N-133) e nível de qualidade.
- Extensão total de solda ou nº de peças e produtividade esperada.
- Consumível desejado (classe AWS do arame e tipo de fluxo).
- Ensaios não destrutivos requeridos e documentação (WPS/PQR, certificados).
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
- Cotação simultânea dos três eixos do processo: máquina/cabeçote, consumíveis e serviço qualificado.
- Comparação de taxa de deposição (kg/h) entre arame único, twin e tandem para justificar investimento.
- Seleção de fluxo por basicidade quando o requisito é tenacidade a baixa temperatura em vasos NR-13.
- Diferenciação entre orçar equipamento novo, usado ou automatizar linha com trator e recuperação de fluxo.
- Checklist de dados para orçar: espessura, material, norma exigida, tipo de junta e ensaios não destrutivos.
- Fornecedores de revestimento duro e cladding por arco submerso, além de soldagem de costura.
- Vínculo entre a escolha de consumível AWS A5.17/A5.23 e a qualificação do procedimento de soldagem.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre arco submerso e MIG/MAG ou eletrodo revestido?
No arco submerso o arco fica coberto por fluxo granular, o que permite correntes muito maiores, penetração profunda e deposição acima de 10-15 kg/h, sem respingos nem radiação. É mecanizado e restrito às posições plana e horizontal, ao contrário do MIG/MAG e do eletrodo revestido, que são mais versáteis em posição mas de menor produtividade.
Em que posições o arco submerso pode soldar?
Praticamente só nas posições plana e horizontal, porque o fluxo granular precisa cobrir a poça de fusão pela ação da gravidade. Costuras circunferenciais são feitas girando a peça em posicionadores para mantê-la sempre na posição plana.
Como escolho entre fluxo fundido e aglomerado?
Fluxo fundido, classificado pela ISO 14174, é mais estável e menos higroscópico, bom para alta velocidade. Fluxo aglomerado permite alta basicidade e adição de liga, entregando melhor tenacidade — preferível em vasos de pressão e serviços a baixa temperatura, desde que ressecado antes do uso.
Arco submerso solda aço inox e alumínio?
Solda aços inoxidáveis com arames e fluxos específicos, muito usado em revestimento (cladding) inox sobre aço carbono. Não é aplicável a alumínio, cuja soldagem exige processos como TIG e MIG por causa da camada de óxido e da condutividade térmica.
É possível fazer revestimento duro por arco submerso?
Sim. O SAW é amplo em hardfacing e cladding para recuperar e proteger superfícies contra desgaste e corrosão, usando arames tubulares de alta deposição e fluxos ligados. É comum em rolos, eixos e equipamentos de mineração.
Preciso qualificar procedimento e soldador para usar arco submerso?
Sim, para juntas de responsabilidade. O procedimento (WPS) deve ser qualificado por ensaio (PQR) conforme ASME Seção IX ou ISO 15614-1, e os operadores pela ISO 9606-1. Em vasos e caldeiras sob NR-13, há ainda inspeção por ensaios não destrutivos e acompanhamento de profissional habilitado.
Vale mais comprar a máquina ou contratar o serviço de soldagem?
Depende do volume recorrente. Para produção contínua de costuras longas (tubos, vasos, estruturas), o investimento em cabeçote, trator e recuperação de fluxo se paga em produtividade. Para demandas pontuais ou sem procedimento qualificado interno, contratar fornecedor com WPS/PQR e mão de obra certificada costuma ser mais econômico.
Qual a espessura indicada para arco submerso?
O processo brilha em chapas médias e espessas, tipicamente acima de cerca de 6 mm, onde a alta penetração e deposição compensam. Em chapas muito finas, o elevado aporte térmico tende a perfurar ou distorcer, sendo mais adequados processos de menor energia.
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Página revisada pela equipe técnica de Soldagem e Corte da Soluções Industriais. Última revisão: 12 de julho de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
Soluções Industriais — marketplace B2B ativo desde 2014, com mais de 50 mil fornecedores, 250 mil produtos e 3 milhões de negócios intermediados. Operado por DSW Soluções Digitais LTDA, CNPJ 14.777.835/0001-67.
Fontes técnicas citadas: ABNT NBR ISO 4063, AWS A5.17, AWS A5.23, ISO 14171, ISO 14174, ASME Seção IX, ISO 15614-1, ISO 9606-1, AWS D1.1, NR-13.